Alguém que não nasceu: sem lembrança de existência. Sou e não fui, Vivi a alegria de ser e a tristeza de não existir. Brinquei num passado mais ou menos presente e dilui um futuro mais ou menos passado. Existo num ponto de um paralelo de uma alma de pedra. Irei ser quilo que não era. Lutei por um sorriso do mundo que nunca veio e essa batalha de uma vida abriu chagas no meu coração e fez com que ele lateja-se trevas, transformando em espírito livre em pedra, já pobre, num existir fictício.
Sou a quimera do sonho que alguém se atreveu a rasgar e fui amor daquele que não consegue amar. Fui tudo e nunca existi.
Um sorriso brando relembra a um universo já esquecido que me atrevi a pensar que existia, e serenatas de vingança entoaram declamadas pela lua a minha janela, ditando o destino daquela que não existia. A minha pele e queimada por rezas que chovem no meu corpo de pedra e o olhar triunfante dos deuses trespassa o meu corpo e eu fundo-me em mim mesma. A força que arde nos meus olhos obriga-me a ser aquela que não consigo ser suportando uma intrépida existência que não existe.
O exercito do sol congela aquele tempo perdido num espaço para que a memoria do sentimento de alguém que não existe se grave no céu e se perca nu infinito, descansando nas profundezas dos altares dos demónios.
Existo sem existir e choro pelo que existo. Odeio a existência que não existe conquistada pelos anjos que não voam.
Uma lágrima de sangue e derramada por quem existe sem existir. E um grito de dor liberta-me da prisão da existência.
Ursula Bórgia
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