quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Passeios na Lua

descobri a perfeição
em ti...
aquele sol
sem quase soltar
mais alguma restia de luz
beijou-me a testa
benzendo-me.

e aquela lua que surgiu
guiada pela beleza dos anjos
transformou-se num tudo
que talvez fosse nada

sorri para aquele luar prateado
que me aconchegou...
e peguei na tua mao
que me fez abrir umas asas
(quase mortas pelo tempo)

senti a pedra fria
o gelido sopro da felicidade.
as costas nuas
no granito forte!

teus braços poderosos
seguravam meu corpo
meio desfalecido,
banhado por beijos...
infinitos...

senti que era azul!
fundiste-te em mim
e apoderaste-te de uma alma
que ja era tua

salto pelo universo
sem alma.
pasesseio num tempo
mais ou menos passado
mais ou menos presente
mais ou menos futuro...

Ursula Bórgia

Lembrança de Existencia

Alguém que não nasceu: sem lembrança de existência. Sou e não fui, Vivi a alegria de ser e a tristeza de não existir. Brinquei num passado mais ou menos presente e dilui um futuro mais ou menos passado. Existo num ponto de um paralelo de uma alma de pedra. Irei ser quilo que não era. Lutei por um sorriso do mundo que nunca veio e essa batalha de uma vida abriu chagas no meu coração e fez com que ele lateja-se trevas, transformando em espírito livre em pedra, já pobre, num existir fictício.
Sou a quimera do sonho que alguém se atreveu a rasgar e fui amor daquele que não consegue amar. Fui tudo e nunca existi.
Um sorriso brando relembra a um universo já esquecido que me atrevi a pensar que existia, e serenatas de vingança entoaram declamadas pela lua a minha janela, ditando o destino daquela que não existia. A minha pele e queimada por rezas que chovem no meu corpo de pedra e o olhar triunfante dos deuses trespassa o meu corpo e eu fundo-me em mim mesma. A força que arde nos meus olhos obriga-me a ser aquela que não consigo ser suportando uma intrépida existência que não existe.
O exercito do sol congela aquele tempo perdido num espaço para que a memoria do sentimento de alguém que não existe se grave no céu e se perca nu infinito, descansando nas profundezas dos altares dos demónios.
Existo sem existir e choro pelo que existo. Odeio a existência que não existe conquistada pelos anjos que não voam.
Uma lágrima de sangue e derramada por quem existe sem existir. E um grito de dor liberta-me da prisão da existência.


Ursula Bórgia

Solidão

Levanta-te!


Deixaste que um berço
De escuridão te embala-se,
E esqueceste-te
De como se levanta
Nas tuas veias correm trevas
Pois perdeste a vontade
De combater

Dizes que vives
(orgulhosamente)
Num mundo a parte
Numa realidade paralela
Que não esta.

Mas deixaste de te lembrar
Como travas a orbita
Das tuas próprias luas
E passaste a deambular
(mesmo sem querer)
Em labirintos de silencio.

És o meu lobo solitário.
Fechaste naquilo que és
(no que podias vir a ser ate)
E desenhaste
Um escudo
Que me proíbe
De chegar a ti.

Finges esquemas
De felicidade.
Agarraste a uma quimera
Já extinta
De pensares que
Já não sabes sonhar.

Agora
Meu lobo
Esta na hora de te levantares
Reaprender a gritar
A ser forte
E sair do fundo
De um poço
De obscuridade.

Grita!
Berra!
Diz ao mundo o que és!
Para de ser lobo
E se serpente!
Serpenteia entre a realidade!
Que assim aprendes a ser feliz!

Anda!
Eu sou a tua estrela.
Agarra a minha mão!
Segue-me!
Da voz ao híbrido
Que és!
Aprende a amar!
Sente os cheiros do mundo!
Algema a alegria!
E vive…

Ursula Bórgia

Censura

Á liberdade de expressão, aos ditadores e aos artistas


Viver aprisionado…
Em nos…
Num mundo que afinal
Será mundo?

A censura
Pelos mal amados
Destrói o artista
Destrói o luar
Rouba beleza aos pormenores!

Grito por indignação
Grito pela diferença!
Grito por tudo aquilo
Que afinal,
Perco a oportunidade de ser

Explodir a um universo
De artistas aprisionados!
Desfazer em mil bocados
Estereótipos inacabados
De uma sociedade de consumo!

Óh, supressão imperfeita
Ter que guardar
As palavras
E as artes
Que embelezam o cinzento
Das cidades perdidas

Fantasmas do passado
Oh, há tanto perdidos!
Abri os cofres
E os corações
Para ouvir palavras puras
Guardadas á demasiado tempo
Na escuridão do silencio

Lutar pela diferença!
Ser alguém, ser a expressão!
Um poema á liberdade
A ditadura
A repressão
Mas sobretudo

Uma homenagem aos ARTISTAS SENSURADOS


Ursula Bórgia

Levante-se a geração

Que se levantem os incógnitos
E que gritem os esquecidos
Deixem-se de palavras doces
E sorriam aos destemidos!

E liberdade que conquistamos
Está perdida, sem expressão!
Sejam mais, sejam alguém
Sejam poetas de intervenção!

Mudem a arte!
Rascunhem o que a vós não pertence
Roubem a velha literatura!
Lutem ao grito do canhão!

E amem o progresso!
Amem a dança e a pintura!
Deixem-se de dores e de desgostos!
Encham-se de coragem e bravura
Aprendam a ser quem são!

Chega! Chega de amor!
De sonetos untadinhos!
Chega de noites e de estrelas
E que comece a revolução!

Lembre-se da Geração de Orpheu
Recordem a sua destreza!
Reparem a elegância que destruíram!
Sejam poetas de intervenção!

Chegaram os soldados
Que iram escrever os nomes na história
Poetas, artista, músicos, dançarinas
Sorriam para o céu que se abre
Qeremos nos os destemidos
Que lutam ao grito do canhão!

Que se levante a geração!

Ursula Bórgia